A produção do filme Malévola está começando a me surpreender de verdade. Ontem a Disney divulgou esse vídeo onde mostra que a bruxa tinha, espante-se: ASAS!!!
Não sei bem que caminho eles irão tomar com esse filme, mas uma coisa que tem me deixado muito curiosa, é que a ABC está buscando grande parte de sua fonte de conteúdo sobre contos de fadas, nos filmes Disney (o que não é nenhum mistério, já que a ABC é da Disney).
Minha pergunta é: será que eles estão pensando em alguma questão transmídia, já que o filme e a série de certa forma dialogam na maneira de mostrar um outro lado dos contos que não apenas o das princesas?
Sinceramente acho que eles podiam investir nisso! Seria uma felicidade para os fãs e uma bela oportunidade.
Esse feriado, final de semana prolongando foi bem produtivo para minha monografia. Além de conseguir terminar algumas leituras comecei efetivamente a escrever o primeiro capítulo e parte da introdução também, porque eu ia tendo ideias...
A dica de hoje para quem gosta do tema (Contos de Fadas) é dar uma olhada no livro "Fairy Tales and the Art of Subvervision" do Jack Zipes. Ele faz um apanhado muito bom sobre a origem dos contos de fadas que é basicamente o meu primeiro capítulo.
Para falar um pouquinho sobre as origens, comecei com os folktales, histórias orais que deram origem aos contos de fadas.
Separei para colocar aqui dois trechos que eu acho que podem interessar para dar uma refletida sobre o tema:
Os estudos sobre as origens dos contos de
fadas, principalmente desenvolvidos na Europa, apontam que, inicialmente os
contos orais, que depois deram origem a literatura, tinham uma função
moralizante para a sociedade. Eles relatavam histórias de pessoas que tinham
passado pro situações inusitadas no cotidiano e traziam sempre algum
ensinamento que facilitassem a melhorar o convívio social. Além disso também
eram responsáveis por manter determinados assuntos em pauta e excluir o que era
proibido de ser discutido.
A evolução desses contos está diretamente
relacionada as mudanças que a sociedade foi sofrendo ao longo dos séculos. Jack
Zipes (Fairy Tales and the Art of Subversion) comenta sobre essa influência “as
novas possibilidades de participação na ordem social, fizeram com que em cada
novo estágio da civilização, em cada novo período histórico, os símbolos e
configurações dos contos foram ganhando novos sentidos, sendo transformados e
eliminados de acordo com as necessidades e os conflitos do povo frente a nova
ordem social” (Zipes, p. 6)
Não sei como eu vou evoluir ao na escrita ao longo da semana, mais no domingo que vem com certeza eu tenho mais coisa para mostrar sobre a mono... Que para deixar registrado, já tem 4 páginas!! =D
Para relaxar o fim do domingo, deixo aqui esse vídeo que é muito engraçado para quem está lidando com a confecção da monografia...
Domingo também é dia de trabalho!!! Fiz ontem e hoje parte do levantamento dos produtos audiovisuais, de séries e filmes que saíram sobre o tema "Contos de Fadas" nos últimos tempos.
Deixo aqui a minha contribuição para vocês. Todas tem o link pro IMDb que é para facilitar a vida para obter mais informações...
Com a imagem, a minha preferida... Once upon a time!
Esse final de semana foi extremamente produtivo em relação a minha monografia. Não porque eu tenha escrito duzentas páginas, não mesmo. Como eu contei no outro post, ainda não estou nessa fase, acabei de começar os trabalhos mesmo.
E sabe por que o fim de semana foi tão produtivo? Porque simplesmente eu consegui baixar os livros do Jack Zipes, uns dos maiores autores referência em contos de fadas. Além disso, também achei un outros livros e uns artigos. *-* Muito feliz!
Hoje vou falar um pouco sobre a leitura que fiz de dois capítulos (parei na página 51) do livro "Fairy tales from before fairy tales", do autor Jan M. Ziolkowski. Ele acabou sendo muito útil como leitura inicial, pois ele faz uma excelente contextualização do gênero. Provavelmente ele vai entrar no meu primeiro capítulo... E essa é outra coisa que eu ainda preciso fazer, o sumário...
Fiz alguns highlights da Introdução:
Para começar, como descobrir a origem dos contos de fadas? Será que é possível eleger uma série de elementos que postos lado a lado caraterizem o gênero contos de fadas? Como saber o que eles significavam quando foram criados, e entender o que eles significam agora? Como essas histórias sobreviveram ao longo de tantos anos, e o que faz com que elas ainda sejam reconhecidas como contos de fadas, mesmo tendo saído dos livros de história e passado para diversas outras mídias como cinema e televisão.
Uma questão importante que ele levanta, é que um conto de fadas carrega múltiplos significados e é ressignificado a cada nova versão que é feita dele. Sugere ainda que alguns adultos que se aproximam desse tipo de gênero, o fazem em uma busca por sentimentos que lembram a infância. Mas será que é só isso? A cada leitura que é refeita dessas histórias apreendemos outros significados e a cada nova adaptação, principalmente no caso do cinema, vemos uma outra nuance da história, entanto será que é só essa busca por nostalgia que motiva aos adultos assistirem e consumirem produtos desse gênero?
Segundo Ziolkowski, uma das maiores características desse gênero é sua interpretabilidade e elasticidade, ou seja, sua capacidade de ser readaptado e manter sua essência. O autor sugere que essa talvez seja a razão para que essas histórias tenham sobrevivido ao longo de milhares de anos e que também é a resposta para tantas histórias se repitam em diferentes culturas e países. Na verdade, nesse ponto o autor vai além, ao sugerir uma raiz comum, que sustenta todos os contos de fadas, misturando eles ao folclore de cada país. Ele usa o termo 'folktale', lenda(?), para designar as raízes do 'fairy tales'. Ao mesmo tempo em que ele destaca uma raiz comum ele fala da construção história do gênero e da necessidade de cada civilização incorporar suas próprias características e sentidos.
O autor também fala da persistência dos contos de fadas nos dias atuais, e como foi alterada a relação da informação e da palavra escrita. Nesse sentido me interessa muito, pois ele destaca a questão da adaptação desse gênero para outras formas de entretenimento que não o livro, leia-se televisão e cinema. Ele fala que os contos sobreviveram não por causa das mensagens que carregam, mas por causa da sua capacidade de ser construído em diferente formas. Prova disso é pensar no filme a "A nova Cinderela" que pega o fio da história e a adapta para os dias de hoje.
Para terminar, ele fala um pouco sobre como podemos analisar os contos de fadas, e isso me interessa bastante já que eu prendendo analisar um produto que eu ainda preciso escolher. Ela fala de duas maneiras de olhar para um conto, por um lado buscar o sentido do conto, olhando para suas origens e maneira como é contado ou escrito. E por outro lado, ignorar completamente essa bagagem e olhar apenas para a história. A sugestão que ele dá é que você faça as duas coisas, olhe para a bagagem, mas não se prenda a ela.
Estou começando hoje a primeira revisão dos possíveis produtos que vou citar/analisar na minha monografia. Só para contextualizar me decidi pelo tema "Gêneros em Contos de Fadas" e uma das primeiras coisas que eu preciso fazer para TCC1 eu preciso preparar o sumário e o capítulo 1 é um levantamento dos produtos audiovisuais que se encaixam na minha temática/universo de análise.
Com a ajuda de alguns amigos do Série Clube comecei um levantamento buscando listas e avaliações no IMDb e em alguns outros sites, e o conteúdo que vou publicar aqui hoje é baseado em post escrito pela Alethea Kontis, uma escritora americana.
No texto, ela apresenta uma ideia inicial sobre a adaptação das histórias famosas dos contos de fadas em diversos contextos televisivos e cinematográficos e faz um levantamento das algumas adaptações mais icônicas.
Minha ideia daqui pra frente, depois é claro de fazer esse levantamento prévio, é assistir aos produtos e resenhá-los aqui mesmo, como uma maneira de manter minhas impressões em algum lugar, e ainda de quebra gerar conteúdo que é ainda é escasso nessa área.
Apesar de não ser meu interesse principal descobrir todas as adaptações, é legal começar por algum ponto. Uma coisa que me chamou atenção logo de cara, foi descobrir que a série Beauty and the Beast lançada em 2012, que tem a Kristen Kreuk como protagonista, é uma remake de uma série dos anos 80.
Abaixo a comparação com os dois trailers:
1980
2012
A autora também fala da estreita relação dos contos de fadas com o gênero do horror, e sua recente, e nem tão recente assim filiação ao gênero. Para exemplificar ela usa os títulos abaixo, que irão se aproximar mais do meu tema, já que usam o universo do conto de fadas, mas não são filmes para criança por se aproximarem de outros gêneros que não apenas fantasia.
Desses filmes eu vou fazer resenhas, mas de qualquer forma, já vou deixar aqui os trailers para que eu não os perca de vida.
Snow White a Tale of Horror - 1997
Mirror, mirror - 2012
Snow White and the Huntsman -2012
Uma coisa que ela escreve que tem tudo a ver com o meu tema é a citação abaixo:
Twisting the original tales and pushing the limits both visually and emotionally for ratings, reviews, and media attention has become far more of a driving force than staying true to Messrs Grimm and Andersen.
Outras duas séries que a autora cita são Grimm e Once Upon a time. Ambas envolvem bem o universo, mas com um adendo para OUT que segue Disney's rules, e está começando a fazer uma grande bagunça com os contos de fadas. De fato, ela era a minha primeira opção de análise, agora, sinceramente, eu já não sei bem.
Além de estar nessa fase de levantamento de produtos, tenho feito também um apanhado geral de bibliografia, e um dos autores que eu achei como mais importantes na área é o Jack Zipes. Infelizmente ainda não consegui muito acesso aos livros dele, apenas aos previews do Kindle, mas tudo indica que ele é uma das minhas melhores fontes de consulta.
Para encerrar este post deixo aqui algumas perguntas, que motivam a minha monografia:
Por que a temática dos contos de fadas começou a interessar e o público adulto? Será que a filiação a diferentes gêneros é a chave para explicar o direcionamento de qualquer temática a qualquer público?
Ao longo do último ano, estive trabalhando no projeto de pesquisa intitulado "Medo seriado: o horror e as matrizes do excesso na ficção seriada contemporânea". Este trabalho foi desenvolvido dentro do curso de Estudos de Mídia da UFF sob a orientação da professora Drª Mariana Baltar. Como resultado dessa pesquisa produzimos um artigo e um vídeo-ensaio, que foram muito importantes para sistematizar o meu conhecimento sobre gêneros e ficção seriada.
Nesse momento, com a proximidade da monografia, e um pouco mais de amadurecimento sobre pesquisa, percebi o quanto é importante produzir textos sobre o que estou estudando, pois revistando meus próprios escritos, percebo que entendo muito melhor os conceitos que estou estudando.
Pois bem, para dar uma utilidade melhor para esse blog que a muito tempo tem ficado instável, vou tentar produzir pequenos textos sobre a temática da minha monografia e compartilhar com quem estiver interessado, minhas impressões e apreensões.
Para estrear mais essa modalidade aqui no blog, deixo como ilustração o vídeo-ensaio que produzi. Nesse temos um resumo dos códigos de horror presentes na 1ª temporada de Fringe.
Se você sentiu nojo, medo, nervoso, asco, parabéns, essas são umas das sensações que o horror causa nas pessoas. Se você ficou curioso para saber o que acontece com o bebê, ele nasce e fica com 90 anos em menos de quatro horas.
O monstro que aparece na última sequência, é o que chamamos na pesquisa, seguindo a classificação de Noel Carroll de ser intersticial, pois é um ser não categorizável, produto da junção de várias espécies de animais em laboratório.
Ao longo dos próximos dias, vou disponibilizar um pouco mais sobre os resultados da pesquisa.