Esse final de semana foi extremamente produtivo em relação a minha monografia. Não porque eu tenha escrito duzentas páginas, não mesmo. Como eu contei no outro post, ainda não estou nessa fase, acabei de começar os trabalhos mesmo.
E sabe por que o fim de semana foi tão produtivo? Porque simplesmente eu consegui baixar os livros do Jack Zipes, uns dos maiores autores referência em contos de fadas. Além disso, também achei un outros livros e uns artigos. *-* Muito feliz!
Hoje vou falar um pouco sobre a leitura que fiz de dois capítulos (parei na página 51) do livro "Fairy tales from before fairy tales", do autor Jan M. Ziolkowski. Ele acabou sendo muito útil como leitura inicial, pois ele faz uma excelente contextualização do gênero. Provavelmente ele vai entrar no meu primeiro capítulo... E essa é outra coisa que eu ainda preciso fazer, o sumário...
Fiz alguns highlights da Introdução:
Para começar, como descobrir a origem dos contos de fadas? Será que é possível eleger uma série de elementos que postos lado a lado caraterizem o gênero contos de fadas? Como saber o que eles significavam quando foram criados, e entender o que eles significam agora? Como essas histórias sobreviveram ao longo de tantos anos, e o que faz com que elas ainda sejam reconhecidas como contos de fadas, mesmo tendo saído dos livros de história e passado para diversas outras mídias como cinema e televisão.
Uma questão importante que ele levanta, é que um conto de fadas carrega múltiplos significados e é ressignificado a cada nova versão que é feita dele. Sugere ainda que alguns adultos que se aproximam desse tipo de gênero, o fazem em uma busca por sentimentos que lembram a infância. Mas será que é só isso? A cada leitura que é refeita dessas histórias apreendemos outros significados e a cada nova adaptação, principalmente no caso do cinema, vemos uma outra nuance da história, entanto será que é só essa busca por nostalgia que motiva aos adultos assistirem e consumirem produtos desse gênero?
Segundo Ziolkowski, uma das maiores características desse gênero é sua interpretabilidade e elasticidade, ou seja, sua capacidade de ser readaptado e manter sua essência. O autor sugere que essa talvez seja a razão para que essas histórias tenham sobrevivido ao longo de milhares de anos e que também é a resposta para tantas histórias se repitam em diferentes culturas e países. Na verdade, nesse ponto o autor vai além, ao sugerir uma raiz comum, que sustenta todos os contos de fadas, misturando eles ao folclore de cada país. Ele usa o termo 'folktale', lenda(?), para designar as raízes do 'fairy tales'. Ao mesmo tempo em que ele destaca uma raiz comum ele fala da construção história do gênero e da necessidade de cada civilização incorporar suas próprias características e sentidos.
O autor também fala da persistência dos contos de fadas nos dias atuais, e como foi alterada a relação da informação e da palavra escrita. Nesse sentido me interessa muito, pois ele destaca a questão da adaptação desse gênero para outras formas de entretenimento que não o livro, leia-se televisão e cinema. Ele fala que os contos sobreviveram não por causa das mensagens que carregam, mas por causa da sua capacidade de ser construído em diferente formas. Prova disso é pensar no filme a "A nova Cinderela" que pega o fio da história e a adapta para os dias de hoje.
Para terminar, ele fala um pouco sobre como podemos analisar os contos de fadas, e isso me interessa bastante já que eu prendendo analisar um produto que eu ainda preciso escolher. Ela fala de duas maneiras de olhar para um conto, por um lado buscar o sentido do conto, olhando para suas origens e maneira como é contado ou escrito. E por outro lado, ignorar completamente essa bagagem e olhar apenas para a história. A sugestão que ele dá é que você faça as duas coisas, olhe para a bagagem, mas não se prenda a ela.
Achei um bom conselho. Por hoje é só.
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