MUNDO DE PRI NA COPA DO MUNDO - PARTE 2

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Monomania de Clarice Falcão (Crítica Musical)

Hoje é dia de crítica musical. Fiz uma crítica ao álbum da Clarice Falcão. É só pra entregar na quinta, mas fã é fã e não consegue esperar para compartilhar. Algumas músicas estão no canal dela no Youtube, mas também dá pra ouvir e comprar o CD pelo ItunesCom vocês, Monomania. 


“Se juntar cada verso meu e comparar vai dar pra ver, tem mais você que nota dó, eu vou ter que me controlar se eu dia quero enriquecer, quem vai comprar esse CD sobre uma pessoa só?” Lançado em 2013, o primeiro álbum da cantora Clarice Falcão já pode ser considerado um sucesso. Ocupando a lista dos 50 mais vendidos do ITunes, demonstra que a cantora já tem um espaço no mercado, mesmo sendo para um nicho específico.
O álbum que é composto por quatorze faixas e tem uma duração total pouco usual de apenas 35 minutos, mistura diversos ritmos mas tem algo muito forte em comum: a maneira de narrar. Clarice não escreve músicas, ela canta histórias. Histórias de amor, decepção, reencontro e separação. Cafona e um tanto brega? Talvez. Mas sem perder a leveza e a graça.
A cantora, que tem na família um pai músico, diretor e escritor e uma mãe roteirista, não podia ser mais influenciada pela narrativa. Em seu álbum ela conta a trajetória de um grande amor e uma grande decepção. Desde a primeira música, “Esqueci você”, já fica claro que ouviremos a história de alguém apaixonado e resistindo.
Seguindo para a segunda faixa, nos encontraremos com “Macaé”, que, com uma melodia melancólica, descreve um pouco das loucuras que fazemos por amor e cela o reconhecimento do eu-lírico como próprio autor dessas loucuras com a trecho “eu queria tanto que você não fugisse de mim, mais se fosse eu, eu fugia”. Já na faixa três, temos a música que dá título ao álbum, em uma baladinha mais animada entendemos a obsessão dessa pessoa e do álbum.
“O que eu bebi por você”, décima música do álbum, conta o ápice da fossa da separação. Lembra muito a música “Garçom”, de Reginaldo Rossi, conhecido como o “Rei do Brega”. Tomando essa faixa como exemplo, podemos reconhecer uma clara ligação da cantora com o gênero Brega, que é bem demonstrada em todo o álbum.


Aliás, entender a relação da cantora com esse gênero típico do nordeste brasileiro, nem é uma tarefa tão difícil, porque, apesar de morar atualmente no Rio de Janeiro e ter a maior parte do seu público também na cidade, a cantora é natural do estado do Pernambuco.
Na Enciclopédia da Música Brasileira, de Marcos Antônio Marcondes, o "brega" é caracterizado como a "música mais banal, óbvia, direta, sentimental e rotineira possível, que não foge ao uso sem criatividade de clichês musicais". A partir dessa definição, nada mais brega e óbvio do que esse álbum. Mas um brega ressignificado. Com um quê de modernidade e humor. Mas com tudo de cotidiano e muitos clichês musicais.
Já para autora Lúcia José, o "brega" teria estruturas sonoras "organizadas e mantidas sem oposição, provocando nos ouvintes uma pasteurização em que todos os arranjos ganham um mesmo assobio". Mais uma vez, essa definição faz todo sentido para o álbum que pode ser ouvido mil vezes porque é muito coerente, segue uma lógica muito perfeitinha, quase que o mesmo assobio mesmo, mas tão contagiante que gruda prazerosamente no seu ouvido.
E se para o gênero um elemento muito importante para “grudar” é o refrão, na quarta faixa, Clarice demonstra seu claro desinteresse por refrãos. Em uma música com um minuto e quarenta, ela descreve a clara dependência que tem por seu amor, usando apensa o verso de apoio “a gente é um só”. E a música gruda.


A faixa cinco “Fredie Astaire” se aproxima muito de um jazz, e fala de amor de um jeito um pouco diferente, relacionando-o ao cinema, outra grande influência da compositora. A linguagem cinematográfica e teatral está fortemente presente na música de Clarice.
Com “Talvez” e “Capitão Gancho”, a sexta e décima terceira faixas do álbum, entendemos melhor quem é a pessoa por trás da história. São duas faixas que bem auto-biográficas. Com o verso “Se não desse errado, não seria eu”, a música encerra uma série de referencias que influenciam a compositora.
Em “Todos os loucos do mundo” temos uma declaração de amor muito explicita. “A sua loucura parece um pouco com a minha”, é a frase que explica a razão de tanta devoção ao amado, outra grande temática do brega, que está sempre vidrado em sua paixão. Com um ritmo bem animado e um uso interessante de instrumentos de sopro, a melodia é uma graça.
Na faixa oito, temos em “Qualquer negócio” o suprassumo do brega, e da submissão e da dependência pelo amado. “Eu posso ser a empregada, da empregada, da empregada do seu tio. Só não me tira de vez da sua vida.” É outro trecho que lembra várias músicas do gênero.


Mas Clarice não é só brega. Como já foi dito, a cantora se apropria de diversos ritmos musicais em seus arranjos, que fazem com que ela se aproxime de mais alguns gêneros como o pop rock e o MPB.
A faixa onze, dialoga muito com uma canção dos Los Hermanos, pois tem um ritmo circense. “A gente voltou” utiliza diversos elementos históricos como Titanic e Romeu (da Julieta) para falar da felicidade e do estrago que é quando eles se juntam e se separam novamente.
A décima segunda faixa, é talvez a música mais conhecida da cantora. “Oitavo andar” descreve um devaneio, sobre um possível suicídio pós-termino. Com muito humor e sarcasmo, marcas da compositora, e um arranjo bem ritmado, é uma delícia de música. Outra que é bem marcada por humor é “Eu me lembro”, a única música que conta com a participação de um convidado, nela temos um dueto muito engraçado contando como o casal da história se conheceu.
A última música, um bônus, na verdade, “Fred Astaire”, a faixa cinco, cantada em sua versão original, que foi escrita em inglês. Demonstrando novamente mais algumas influências da cantora.
Enfim, álbum foi bem recebido pela crítica, mesmo a cantora tendo optado por gravar de maneira independente, e com certeza merece atenção pra ser ouvido umas mil vezes.

Bibliografia

JOSÉ, Carmen Lúcia. Isto é brega, Isto é brega. [S.l.]: São Paulo: (dissertação de mestrado), 1991.

MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da música brasileira. [S.l.]: São Paulo: PubliFolha, 1998.