quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Pais não deveriam morrer

Crônica de um dia de chuva...



Na escola onde eu trabalho estuda um garotinho a quem eu carinhosamente apelidei de "Amiguinho beijoqueiro".
Desde do início do ano que ele é muito simpático e distribui muitos beijinhos.
Uma vez quando perguntei a ele o porquê de tantos beijinhos ele me disse de um jeito muito doce, peculiar a um bebê de 3 aninhos:
"_ Papai que me ensinou a dar beijinhos."
Comecei a reparar que todos os dias ele ia de carro para a escola, e era sempre o pai dele quem o levava.
Eles chegavam sempre antes do horário de entrada, e lá estav meu amiguinho beijoqueiro, todos os dias, mandando beijinhos da janela ou pelo vidro.
Me fugui a atenção que aquele acontecimento tinha virado rotineiro, e deixei de perceber que a algum tempo eu já não via a cena diária, meu amiguinho e seu papai.
Mas continuava a vê-lo em sua salinha ou andando pela escola.
Em um dia chuvoso como o de hoje, estavamos assistindo a um fime, e meu amiguinho veio sentar no meu colo.
Como já era de costume, me deu um beijinho.
Foi então que uma outra criança, querendo participar daquele momento, disse meio aleatóriamente:
"_Meu pai saiu cedo de casa hoje, tia."
E eu querendo inclui-la, disse assim:
"_Que legal, papai está trabalhando! E o seu papai amiguinho?"
Foi então que eu me dei conta que já não os via juntos a algum tempo. E esperei pela resposta.
"_ Papai morreu, tia, foi morrar com o menino Jesus." Disse ele com o mesmo sorisso inalterado de quem não entende o que é morrer.
Fiquei atônita, e fui falar com a professora dela, para saber se era verdade, ela me confirmou a história, mas eu continuava meio sem acreditar.
Foi então que eu me dei conta que provavelmente meu amiguinho nem vá se lembrar direito do pai daqui há alguns anos, mas foi ele quem deu ao meu amiguinho a fama de "beijoqueiro".

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